Roda do Ano: que sentido faz?
Por que continuarmos a
ritualizar? Por que os pagãos e bruxos modernos, em especial os wiccanos,
continuam a seguir a Roda do Ano (ver definição AQUI) que é precisamente a marcação de rituais
sazonais? Alguns, bruxos ou não, podem argumentar que essas práticas parecem defasadas
já que serviram no passado como uma forma religiosa de regulação dos ciclos de
fertilidade da natureza, bem como a influência dos astros nesta fertilidade,
nas boas ou más colheitas; e hoje vivemos supostamente independentes desses
ciclos.
A vida “artificial” moderna enganosamente pode conferir essa certeza aos que creem sejam essas práticas rituais retrógradas, mas estes se esquecem que basta um evento fora do
previsto para que plantações inteiras possam ser perdidas. Já experimentos controlados
no campo agrícola para reproduzir artificialmente as condições de plantio e
colheita em ambiente artificial – por exemplo, no deserto, visando povoar
outros planetas – mostraram-se um desastre. Ou seja, a força que comanda os
ciclos e marés da vida e da morte – eis o que é afinal a fertilidade dos campos
em sentido amplo para esses povos – não pode ser reproduzida pelo ser humano.
Então, esta questão, fundamental para a bruxaria (moderna ou tradicional) deve
ser observada com mais cuidado.
De onde vêm essas crença e
prática humanas cuja finalidade última é tentar controlar os ciclos de fertilidade, nem que seja por intermédio
da “adulação” aos deuses, ou da conexão e integração às leis da natureza?

A Antropologia, bem como a
História das Religiões, já rebuscaram a caminhada do humano primitivo em seus
ritos, crenças e práticas ancestrais e mostraram que naqueles tempos,
especificamente no humano coletor e nômade, a dependência da natureza era uma
condição, um ponto pacífico. A terra, a natureza, o planeta era de fato a mãe
que alimentava e acolhia seus filhos durante a vida e depois era seu leito de
morte. Essa era a condição simples e fundamental. Pergunto: no que isso de fato
mudou? Não plantamos em outro planeta, nem em nenhum outro elemento que não
advenha deste; mesmo em laboratório é com água (pelo menos) que se regam as
plantas e se hidratam os seres. Continuamos, sem sombra de dúvidas, deste
planeta, absolutamente dependentes. Portanto, o rito da Roda do Ano e suas
outras denominações, conserva plenamente sua razão de ser.

As marés e os ciclos: a estética do movimento
Para além do sentido material, as
marés e os ciclos da natureza têm importância metafórica e espiritual tão ou
mais importante, pois espelham a própria condição humana. Indubitavelmente há o
sentido psicológico das conexões sazonais, mas quero falar do aspecto estético/poético
dessas práticas.
Continua...
Nenhum comentário:
Postar um comentário